Debate sobre Autismo lota auditório do CRP-RJ

A Comissão de Saúde do CRP-RJ promoveu, no dia 31 de agosto, na sede do CRP-RJ, o debate “Autismo (s)”. O debate, que lotou o auditório do CRP-RJ, trouxe as palestrantes Nathalia Sabbagh Armony (CRP 05/16477), psicanalista, doutora em Ciências da Saúde pelo IFF/FIOCRUZ e coordenadora do CAPSi CARIM/IPUB/UFRJ, e Pamela Perez (CRP 05/25126), psicanalista e psicóloga concursada da Prefeitura do Rio de Janeiro. A mediação ficou a cargo de Rita Louzada (CRP 05/11838), conselheira-presidente da Comissão de Saúde.

Nathalia Armony iniciou a mesa explicando que, de fato, houve um aumento no número de casos de autismo e que isso se deve, em parte, a uma subnotificação que existia até então. “Podemos pensar que havia uma invisibilidade muito grande, ocasionada pela subnotificação dos casos de autismo. Muitos casos de autismo eram diagnosticados de outra forma, como deficiência intelectual, e aí esses casos não chegavam a aparecer. Mas, não é só isso, porque a forma de diagnóstico também mudou. Na verdade, não há uma explicação que dê conta completamente de explicar esse crescimento vertiginoso dos casos de autismo”, pontuou.

Além disso, a psicóloga ponderou que a etiologia do autismo ainda é desconhecida, ou seja, a origem genética do autismo é uma hipótese, ainda uma teoria. E, diante disso, uma boa parte do que deve ser considerado e tratado é a questão do sofrimento do indivíduo.

“O sofrimento, sim, deve ser tratado muito mais do que a questão da adequação da pessoa com autismo ao meio social. Hoje há o reconhecimento de que é uma outra subjetividade que está ali. O autista não é uma ‘fortaleza’ como muitos acreditavam. Muito pelo contrário. Há uma sensibilidade tão grande que qualquer coisa pode perturbar. Por isso, ele constrói um recurso de seu domínio para que possa lidar com o mundo desorganizado e imprevisível que se coloca para ele. Nós trabalhamos reconhecendo e respeitando esse recurso, mesmo que pareça sem sentido para nós. Sem sentido não significa sem função”, concluiu Nathalia.

Já Pamela Perez, que além de psicóloga, também é fotógrafa e documentarista, exibiu trechos de seus últimos trabalhos, como “Autismos Entreditos” e “10 anos de CAPSi Maria Clara Machado”, dividindo com o público suas impressões e sua experiência de trabalho com autistas. “Procurei encontrar uma articulação entre clínica e cultura e, apesar desse momento complicado de desmantelamento de serviços públicos, temos conseguido manter um bom trabalho. Temos que ser apaixonados pelo trabalho que realizamos. O compromisso ético com o humano é que vai sustentar a clínica”, afirmou.

“A Reforma Psiquiátrica, que trouxe tantos avanços, faz com que hoje, dentro de um CAPS, tratemos com liberdade. A internação é considerada em último caso. E, antes dos CAPS, há 19 anos atrás, os autistas estavam nas APAEs e Pestalozzis. É mais recente que o serviço público se abriu para o tratamento de crianças autistas e psicóticas em relação à clientela adulta. O trabalho em coletivo com outras crianças e outros técnicos traz resultados importantes porque sai da relação dual, que pode ser um pouco mais invasiva, dando lugar a novas interações e dinâmicas. Há uma grande potência no serviço público de saúde”, ponderou.

E, falando das histórias de vida que pôde registrar através de suas fotos e seus documentários, e que pôde ter acesso com seu trabalho de psicóloga, Pamela destacou a questão da diferença e do preconceito. “O mundo tem que se abrir para a diferença. E tento sempre pensar que diferente não é o autista, mas, sim, o mundo que queremos construir, que possa acolhê-lo e a todos nós”, concluiu.

Fonte: CRP – RJ

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